Comprar a casa própria é o sonho de grande parte dos brasileiros. E esse sonho se aproximou da realidade nos últimos anos, em função das diversas linhas de crédito disponíveis nos bancos para financiamento imobiliário, dos prazos mais longos de pagamento e de subsídio do governo federal para a aquisição da moradia, com o programa Minha Casa, Minha vida.
Com as contas na ponta do lápis, no entanto, a compra da casa própria nem sempre é o melhor negócio, segundo especialistas em finanças pessoais. A alta da taxa de juros do crédito imobiliário, o risco de desvalorização do imóvel e o prazo longo para a quitação dos empréstimos podem fazer com que o aluguel seja mais vantajoso do que a compra.
- A aquisição do imóvel pode valer a pena se a pessoa for morar nele. É uma ilusão achar que a tendência é só de valorização, já que o bem sofre depreciação. Além disso, os custos para a manutenção são elevados, como o pagamento do condomínio e impostos - afirma Jurandir Macedo, planejador financeiro e professor de finanças da Universidade Federal de Santa Catarina (VFSC).
A reforma de um imóvel com 20 anos de uso, por exemplo, vai consumir recursos que equivalem à faixa de 20% a 30% do valor do bem, estima o consultor. Macedo ressalta que desde julho de 1994, início do Plano Real, um investimento de R$ 10 mil aplicado em um título público vinculado à Selic(taxa básica de juro da economia) valeria, hoje, cerca de R$ 240 mil.
- Pouquíssimos imóveis tiveram essa valorização. E, em alguns fundos ou ações esse rendimento poderia ter sido ainda maior - afirma.
Conforme Macedo, pelo lado racional e financeiro, vale mais a pena alugar o imóvel. Mas é lógico que não pode ser deixada de lado a parte emocional e a vontade de comprar a casa própria, pois as pessoas ficam mais animadas para fazer reformas e investir no bem. Na avaliado do especialista, a compra do imóvel, atualmente, é mais favorável para as famílias de baixa renda (rendimento mensal de até R$ 1,5 mil), pois elas contam com subsídios maiores nas linhas de financiamento dos bancos, que leva a taxas de juros mais baixas embutidas nos empréstimos.
Além disso, proporcionalmente, o valor do aluguel de um imóvel para a baixa renda e mais alto do que uma unidade de luxo. Antes de contrair um financiamento, na avaliação de Macedo, é recordado que o interessado junte uma boa parte do valor da quantia do imóvel para dar de entrada.
Diante desse cenário, os jovens devem adiar a compra da casa própria, afirma Macedo.
- Muitas vezes, a pessoa compra uma casa maior do que precisa e aí paga condomínio, impostos e depreciação do imóvel sem necessidade. É melhor ficar em um apartamento menor e aguardar a diferença do dinheiro para depois adquirir uma unidade melhor diz.
GRANDE PROCURA
O volume de financiamento imobiliário da Caixa Econômica Federal deverá ser recorde em 2010, podendo ultrapassar a cifra de R$ 60 bi. No ano passado, o financiamento imobiliário na Caixa totalizou R$ 47bi.
FONTE: Jornal Zero Hora
DATA: 27/06/2010